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30 agosto 2012

Ato sensibiliza para o parto humanizado


Matéria publicada em 17/06/2012 | DIÁRIO DO PARÁ
FOTOS: DANIEL PINTO

TEXTO: GERLLANY AMORIM

A pequena Clarisse Oliveira, 2 anos, exibia o cartaz com a seguinte frase “Eu nasci no hospital, mas meu irmão vai nascer em casa e eu vou ver”. Com sua mãe, a psicóloga Michele Oliveira, 32, Clarisse representava um grupo de mães e mulheres que decidiram unir-se em prol da luta pela humanização do parto natural e/ou domiciliar neste domingo na Praça da República em Belém.

A mobilização deu-se em conseqüência de uma matéria de repercussão nacional em que um médico recebeu notificação do sindicato por conta de seu posicionamento a favor do parto humanizado. Centenas de mulheres também realizaram o ato em diversas cidades do país.

PARTO DOMICILIAR
O parto natural domiciliar vem tomando grande proporção no mundo inteiro e inclusive, já foi adotado por diversas celebridades que se tornou notícia. Apesar disso, a prática ainda encontra resistência de parte dos médicos. Órgãos como o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) - que foi quem notificou o médico apoiador da causa - alerta para os riscos.

Aqui em Belém, o enfermeiro obstetra, Horácio Bastos já acompanhou muitos nascimentos de parto domiciliar. Ele não ignora os riscos do parto, mas diz que isso nada tem a ver com o local. “Qualquer lugar o parto é passível de incertezas. Mas um parto domiciliar planejado, e a mãe com gravidez de baixo risco, pode sim ser totalmente seguro”, afirmou. Horácio disse que prova disso, é que a procura por este tipo de parto advêm de mulheres com alto grau de instrução, ou seja, isso é uma opção e não um refúgio. 

Grávida do primeiro filho, a jornalista Úrsula Ferro, 28, infelizmente não poderá ter o bebê em casa por motivos clínicos. Mas apoiando a causa e distribuindo panfletos para mulheres durante o ato, ela diz que pretende ter outros filhos e assim que possível os terá de forma natural.

As estudantes Thaissa Perdigão, Adyne Figueiredo, 16 anos e Raissa Almeida, 17, observavam curiosas o ato. Mesmo ainda sendo muito cedo para pensar em filhos, segundo elas, apóiam totalmente o ato e já refletiam sobre como será no futuro. “É interessante, pois nasce no conforto da nossa casa, perto da família. E do jeito que estão esses hospitais hoje acho que é até melhor”, disseram concordando.

O casal Ana Paula Gaia e Augusto Nunes estavam lá para contar a experiência do nascimento da filha caçula Maitê Gaia, de 1 ano. O parto domiciliar de Maitê foi acompanhado por profissionais da enfermagem, mas ocorreu da forma mais natural possível. “É claro que para eu tomar essa decisão precisei pesquisar muito. Em outros países o parto domiciliar é totalmente comum. O que me dei conta é que aqui as mulheres são pouco informadas e por isso têm pouco hábito pelo parto natural”, disse Ana Paula.
O pai Augusto se disse assustado em primeiro momento, mas depois que a esposa lhe explicou todos os detalhes do momento, Augusto vestiu a camisa e acompanhou de perto o nascimento da filha. “A humanização sempre foi algo que apoiei, mas quando é com a gente é mais difícil aceitar logo de cara. No início foi aquele choque, mas depois de me informar eu me permiti e hoje em dia tenho vontade de levar essa informação a mais pessoas”, disse.

Sabrina Dias é professora da Universidade Federal Rural do Pará (UFRA), mas pararelo a isso é Doula. O nome dado às assistentes de parto natural e/ou domiciliar. Há 15 dias Sabrina viu nascer a neta de dona Ione Pereira, 49. Sua filha Bruna Pereira, de apenas 18 anos, teve o bebê em casa, em pé com a ajuda de Sabrina e o enfermeiro Horácio que entrevistamos acima. Os riscos são praticamente nulos quando a gestante tem risco habitual, e segundo Sabrina 80% das gestantes são saudáveis. Dona Ione orgulhava-se do parto da filha “Foi maravilhoso, emocionante ver a criança vir ao mundo sem agressão, de modo tão natural. Chegou o momento e ela veio ao mundo”, orgulhou-se a avó que diz inesquecível o fato de ela ter cortado o cordão umbilical.

O ato na Praça da República reuniu cerca de 30 mulheres, mães e pais. Na ocasião, panfletos com curiosidades acerca do parto natural, foram distribuídos e cartazes de frases que alertavam para o direito de toda mulher ao parto natural estavam expostos.

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