Matéria publicada em 13/06/2012 | PÁGINA A12 PARÁ | DIÁRIO DO PARÁ
FOTOS: BRUNO CARACHESTI
TEXTO: GERLLANY AMORIM
FOTOS: BRUNO CARACHESTI
TEXTO: GERLLANY AMORIM
Com apitos e penicos de plástico nas mãos, na noite de ontem servidores do Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (14 de março) tentavam mais uma vez chamar a atenção da Prefeitura para a situação das instalações do prédio do PSM, que segundo eles, encontra-se em péssimo estado.
Parte dos funcionários do hospital está em greve desde a última segunda-feira (11) e além do reajuste salarial e pedido de devolução de benefícios, os servidores reivindicam melhores condições de trabalho e manutenção de equipamentos e melhoria nas condições do prédio.
PROTESTO - Os pinicos nas mãos representavam um protesto por conta dos banheiros do hospital que estão interditados e em condições insalubres. “Na porta dos banheiros colocaram um cartaz que diz “Interditado por uma semana”, mas isso já está há meses”, lamentou a técnica de enfermagem Rosa Leda, que faz parte do movimento grevista e está em frente ao PSM esperando respostas das autoridades junto dos demais servidores. Emocionada, Leda lamenta não ter condições para exercer seu trabalho normalmente. “É muito triste a situação de pessoas que precisam de atendimentos urgentes e acabam morrendo porque não os tem. A gente fica triste junto com a família por não poder fazer nada”, lamentou.
Com o filho especial João Vitor da Conceição, 7 anos, internado no PSM, a dona de casa Cleia da Conceição, moradora do Distrito de Mosqueiro disse que passa horas esperando que funcionários venham atendê-lo na enfermaria. João Vitor está vomitando sangue desde a noite de segunda-feira (11), quando deu entrada no hospital. “Eu fico numa situação difícil porque meu filho está passando mal e acaba sujando todo o quarto. Mas eu não posso fazer nada, os banheiros não funcionam. Eu ainda não sei o que ele tem porque não recebemos o atendimento necessário”, disse.
[FOTO] Com apenas 30% do quadro de funcionários trabalhando, além da grande espera pelo atendimento – isso quando era possível - muitos pacientes tiveram que se dirigir para os outros Prontos Socorros da cidade. Isso causou o inchaço no atendimento desses hospitais. No PSM do Guamá, um fotógrafo amador registrou uma senhora de aproximadamente 75 anos de idade, deitada no chão do corredor por falta de leito.
SEM INFORMAÇÃO - O assistente administrativo Elizeu Rocha, que trabalha no setor de informática do PSM da 14 de março, diz que não é possível ter informação alguma sobre a situação dos pacientes que deram entrada no hospital. “Não dá pra saber quem deu entrada, quem foi transferido ou quem teve alta porque o sistema está fora do ar”, disse.
Na manhã de ontem, a greve dos servidores foi movimentada por mais uma série de protestos em frente ao hospital. Por várias vezes os grevistas estão fecharam a travessa 14 de Março formando um cordão de isolamento e expuseram um caixão simulando um enterro simbólico da saúde. O Caixão permanece na porta do PSM onde os servidores permanecem em campana diuturnamente.
MOBILIZAÇÃO
No início da noite de ontem, uma comissão do comando de greve, acompanhada pelo advogado, Dr. Dênis Melo, foi até o PSM do Guamá para mobilizar os servidores a fim de convencê-los a aderir à greve, mas como não houve mobilização não foi possível fechar acordo. Após uma reunião, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) entrou em “estado de greve” podendo ser deflagrada a qualquer momento.
O comando de greve informou que ainda hoje, a comissão vai percorrer todos os PMS’s para mobilizar os servidores para aderirem a greve. Na próxima sexta-feira (16), as 19h, em frente ao PSM da 14 de março, uma grande Assembleia envolvendo todos os PSM’s será realizada.
SINDSAÚDE
Em nota, a Secretaria de Estado de Administração (Sead) informou que voltou a se reunir com o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde), dando continuidade à mesa permanente de negociação. A pauta discutiu o nivelamento do abono do pessoal de nível médio da saúde com os servidores de nível médio do Estado, no valor R$ 100, cuja incorporação ficou assegurada para próxima data-base, em abril de 2013.
“No que se refere à política de abono, não se pode trabalhar com reajuste desses valores, por isso, vamos estabelecer um teto de remuneração, para os servidores de nível médio, levando em consideração a incorporação dessa parcela, afim de que não haja disparidade salarial na categoria”, explicou a titular da Sead, Alice Viana.
A secretária ressaltou ainda a preocupação e responsabilidade do governo na área da saúde, com a política de valorização e reconhecimento dos servidores e a melhoria de gestão e reestruturação das carreiras da categoria. “Temos consciência que a área precisa de uma série de melhorias, não só nesses pontos, como também na infraestrutura. É com base nesses pilares que estamos fazendo um estudo para empreender, de fato, um nivelamento na gestão da saúde”, concluiu.





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