GERLLANY AMORIM para o DIÁRIO DO PARÁ, edição de 17/11/2013.
Quando a nossa equipe chegou, quem abriu a porta foi Milene Boger, 19, uma de nove filhos do Papai Noel. Não, não fomos até o Pólo Norte, nem ao menos saímos da cidade para fazer essa visita, bastou irmos até ali em Icoaraci para conhecer o vendedor Milton Boger, 67 anos, que há 11 dedica sua vida a encarnar o ‘bom velhinho’ na época do Natal, em um Shopping do centro de Belém.
Bem disposto e com uma saúde de ferro confirmada pelos médicos, Milton contou que a roupa vermelha, muito bem decorada, já está engomada só esperando o dia para começar o seu trabalho como Noel. Milton conta que mesmo trabalhando como tal há tantos anos, ainda assim sente aquele frio na barriga. “São muitas histórias emocionantes, e muitas que me marcam muito através dos pedidos das crianças que vão até mim.”, contou entusiasmado e foi logo soltando várias delas. De engraçadas a comoventes, ele disse que os pedidos das crianças surpreendem muito mais a cada ano que passa. “As crianças hoje em dia estão muito mais espertas, curiosas. Querem saber se a barba é de verdade, a barriga”, disse. E inclusive, a barba parece algo que seu Milton muito se orgulha e preza. Naturalmente branquinhos a barba e os cabelos nunca cortados durante todo o ano, recebem um carinho especial pela esposa de Milton. Uma vez até cachos fizeram na barba, contou. “Já coloquei bobes de cabelo na barba pra ficar cacheadinha, gostei, mas a direção do shopping pediu que eu a deixasse assim natural.”, explicou.
Milton estava bem à vontade em sua casa, rodeado pelas filhas. A mais nova, Sarah, está com apenas dez meses. “Papai Noel ainda está na ativa”, brincou. As filhas não paravam de beijá-lo e admirá-lo. “Sou a fã número um do meu pai!”, orgulhou-se Milene Boger, e confessou que até hoje, aos 19, ainda escreve todos os anos a sua cartinha. “E sempre sou atendida!”, confirmou.
Ser filha do “Papai Noel” da vida real sempre foi motivo de orgulho, concordaram as filhas. Isabelly Boger, 6 anos, nem precisa se defender na escola quando duvidam da existência do bom velhinho. “Uma vez estavam comentando na minha escola que não existe papai noel, mas aí a minha amiga apontou pra mim e disse: existe sim, é o pai dela!”, contou sorridente.
Pedidos surpreendentes
O Noel Milton conta que faz questão de ser muito mais que um personagem para as crianças e gosta de lembrar sempre o real significado da data. “Sempre que uma criança senta no meu colo, eu pergunto o nome, a idade e também quem nasceu no dia do natal. Fico feliz porque a maioria delas sempre acerta e quando não sabem eu digo que foi Jesus”, contou.
São histórias surpreendentes que Milton escuta todos os dias em que está trabalhando. Algumas delas lhe arrancam risadas e outras até lágrimas. Um esperto garotinho de seis anos pediu nada menos que um telescópio ao papai Noel. “Quero estudar as estrelas”, justificou. Já outro de sete anos desejava ser diretor do shopping por pelo menos um dia! Ele disse que iria colocar muito mais diversão para as crianças no shopping. A sugestão de levar o garoto para realizar um tour pelo lugar foi levada pelo papai Noel ao diretor. Milton contou ainda, que ao se deparar com pedidos tão comoventes, vindo de crianças muito carentes, já chegou a tirar dinheiro do próprio bolso para realizar o sonho da criança.
Todas as histórias foram contadas com muita alegria até chegar a hora de relembrar uma criança de apenas sete anos de idade. Milton fechou o sorriso e ficou sério enquanto contava. A filha, Milene, que algumas vezes trabalhou como “Noelete” ao lado do pai, também lembrou com emoção do fato. O garoto de quem Milton falava, quieto, foi até ele, mas já avisou que o que desejava não existira na fábrica do Noel. “Se não tiver eu compro em outro lugar, meu filho, peça”, pediu Milton já curioso. “Não papai Noel, não tem jeito, o senhor não pode me dar isso”, defendeu o garoto. “Mas pelo menos me diga o que é, e eu vejo o que posso fazer”, insistiu. “Papai Noel eu queria PAZ. Eu queria ser feliz na minha casa, mas meus pais brigam muito, eu vivo com medo”, revelou. Milton apenas pediu que o menino ocupasse o seu lugar na poltrona, levantou e foi até os pais do garoto. “Quando eu preciso ser rude, eu sou”, e chamou a atenção dos pais do menino que ficaram surpresos com o pedido do filho.
Perguntado sobre até quando pretende exercer o papel de Noel no período natalino, Milton nem parou pra pensar e foi logo dizendo “Enquanto eu estiver de pé!”.






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